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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Publicidade enganosa - Aqua tube


"Na promoção ao novo papel higiénico, a Colhogar convida a deitar o tubo na sanita. A marca promete conforto e respeito pelo ambiente, mas os argumentos não convencem.
A Colhogar lançou recentemente o seu novo papel higiénico Aqua Tube, um tubo de papel totalmente biodegradável e descarregável. A marca alega que “oferece aos consumidores o conforto e comodidade durante as suas idas à casa de banho”. Esta marca vê ainda o Aqua Tube como “o futuro dos papéis higiénicos nos próximos anos”.
A novidade resume-se a uma falsa questão de conforto e ambiente. O Aqua Tube permite ao consumidor “descarregar” o tubo vazio na sanita, em vez de o depositar no ecoponto para reciclagem do papel. O tubo dissolve-se de imediato em contacto com a água. A marca garante que este papel é o resultado de 5 anos de pesquisa e “ajuda a manter a casa de banho limpa e arrumada. Graças ao Aqua Tube, os rolos no chão desaparecerão”.
Na prática, não custa nada “chutar” o tubo para o contentor da reciclagem do papel/cartão. O argumento da arrumação é pouco convincente.

Tubo tem mais valor reutilizado

O Aqua Tube é fabricado a partir de materiais renováveis e biodegradáveis: 100% de polpa de madeira oriunda de fornecedores certificados por cultivo sustentável. Mas já que a marca se preocupa tanto em garantir a origem sustentável da polpa de papel, seria bem mais adequado o fabrico do rolo a partir de materiais reciclados. Todos os anos são produzidas cerca de 700 milhares de toneladas de resíduos de papel, algumas das quais podem ser usadas neste fabrico.


A marca convida o consumidor a deitar o tubo na sanita, desaproveitando-se assim um material que poderia ser reciclado. Desiluda-se: esta opção não é mais ecológica.

A sustentabilidade passa pela reutilização ou reciclagem do material. Neste caso, ao convidar o consumidor a deitar o tubo na sanita, a Colhogar elimina estas hipóteses de valorização.

Prefira rolos de papel higiénico compactos

A melhor opção são rolos compactos, com mais papel no mesmo espaço, que durarão mais tempo do que os rolos tradicionais. Escolha versões que exibam o rótulo ecológico europeu ou, se não houver disponível, as produzidas em celulose reciclada ou a partir de madeira de cultivos sustentáveis.

Em casa guarde os rolos junto dos outros materiais em papel ou cartão e visite o contentor azul mais perto de si.
Cada rolo Colhogar Dermia custa de 25 a 35 cêntimos. Nos supermercados encontra facilmente produtos de marca própria entre 12 e 17 cêntimos por rolo, duas vezes mais baratos.
Para promover este novo papel higiénico, a Colhogar promete conforto e respeito pelo ambiente, argumentos que não convencem."

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Publicidade enganosa - Sacos de plástico


"Os sacos reutilizáveis são a opção mais ecológica para transportar as compras. Se recorrer aos de plástico, use-os o maior número de vezes possível. Uma vez estragados, todos podem ser reciclados.

Várias cadeias de supermercados anunciam sacos 100% degradáveis e amigos do ambiente. Nalguns casos, afirmam ser reutilizáveis e recicláveis, mas aconselham a colocá-los no lixo indiferenciado quando ficam quebradiços. Esta mensagem é contraditória e confusa para o consumidor: reciclagem e lixo são destinos totalmente opostos.
Independentemente do saco, o mais importante é reutilizá-lo o maior número de vezes possível. Como nem todos os resíduos produzidos em casa são recicláveis, vai precisar de sacos para o lixo indiferenciado. Se não compra sacos para esse fim, aproveite os do supermercado.
No entanto, alguns sacos em fim de vida, devem ser depositados no ecoponto amarelo em vez do lixo.


Os sacos tradicionais, em polietileno, são resistentes e reutilizáveis. Quando estiverem danificados, coloque-os no ecoponto amarelo.

Ponto de partida para novos produtos
Produzidos a partir de um composto do petróleo, o polietileno, os sacos de plástico são 70% mais leves do que há 20 anos, o que diminui o seu impacto ambiental unitário. Mas com o aumento da produção, o ganho ambiental está longe de ser tão positivo como apregoa a indústria. 
Em fim de vida, não devem ser encarados como resíduos sem valor mas um ponto de partida para fabricar novos produtos. Quando não é possível reciclar, devem ser valorizados através da incineração com recuperação de energia e, só em último caso, enviados para aterro.



Alegam ser degradáveis. Só devem ir para o lixo indiferenciado quando ficam quebradiços.

Dois destinos para os sacos degradáveis 

Devido ao abandono dos plásticos na natureza, foram criados dois tipos de sacos degradáveis: os biodegradáveis e oxodegradáveis. Mas não há consenso sobre as vantagens ambientais e a designação degradável pode enganar os consumidores. Muitos acreditam que desaparecem rapidamente na natureza sem intervenção humana e podem ainda menosprezar a importância da reutilização, para reduzir os resíduos produzidos.

Distribuídos em muitos hipermercados e muitas vezes reconhecidos pela indicação d2w, os oxodegradáveis são plásticos tradicionais aos quais é adicionado um ingrediente que facilita a quebra dos monómeros de plástico e acelera a degradação. Mas não se degradam na totalidade e o seu processo de reciclagem é mais complexo: têm de ser recolhidos e tratados até 18 meses após o fabrico. Como não há um circuito próprio para recolha, na reciclagem, é preciso adicionar um agente estabilizador para neutralizar o ingrediente que facilita a degradação. Quanto à deposição em aterro, o plástico só se degrada rapidamente na presença de oxigénio, o que não acontece na maioria das vezes.
Os sacos degradáveis não são ambientalmente mais vantajosos do que os tradicionais (apenas de polietileno), sobretudo porque os últimos são recicláveis e, se tal não for possível, incinerados com recuperação de energia. Assim, num país com capacidade para reciclar filme plástico de polietileno, não faz sentido que muitos supermercados optem por sacos degradáveis e apregoem ser amigos do ambiente.


Alguns incluem a menção degradável. Outros ostentam o símbolo d2w na dobra lateral, por exemplo.

Usar e reutilizar nas compras

De carro ou a pé, os sacos de compras com rodas permitem acondicionar e transportar os produtos sem esforço, sem precisar de sacos de plástico. Por serem resistentes, pode ainda reutilizá-los vezes sem conta.

Para volumes mais pequenos, os sacos reutilizáveis são a melhor opção, sobretudo se forem resistentes, como os de polipropileno, tecido ou juta.
Os sacos de plástico vulgares (de polietileno) também podem ser reutilizados. Volte a usá-los quando for às compras ou para depositar o lixo indiferenciado. Se estiverem danificados, coloque-os no ecoponto amarelo."